Como repete o bordão, “o ano só começa depois do Carnaval”, é, pois é.
Pois eu, que não gosto de Carnaval nem nada, tenho motivos de sobra para escrever. Primeiro, porque pude desfrutar o meu carnaval com uma merecida viagem para o litoral (é lugar comum,ok, mas funciona como descanso).
Segundo, não podemos esquecer que o Carnaval é, nada mais, que uma festa gastronômica. Os cristãos se deliciavam com banquetes no qual o consumo de carne era permitido, já que, após esta festa que ocorre entre fevereiro e março, eles ficariam 40 dias sem comer carne – a quaresma.
No dia 8, propriamente dito, não comi carne. Mas no feriado sim; num churrasco, no qual eu mesmo preparei uma maminha mal-passada, picanha e algumas linguiças; tudo muito trivial.
O destino escolhido para o meu repouso de 4 dias foi Ilhabela.
Bem, vamos às experiências ‘gastronômicas’ que tive: nada demais, aliás, tudo muito normal.
Trivial, como disse acima do churrasco: Comi um PF que, pasmem-se, foi o ponto alto da viagem. Super bem-feito; arroz soltinho, peixe frito fresco, feijão bem temperado. É simples, barato, não tem segredo; pratos assim, embora careçam de qualquer sofisticação, deveriam ser festejados. E o PF é quase que uma instituição gastronômica brasileira: talvez o prato mais ‘brasileiro’ de todos. Em qualquer uma de nossas regiões geográficas, o cidadão se alimenta, se satisfaz e aprecia um prato composto por salada, arroz, feijão, farinha e peixe/carne/frango (esse é o PF tradicional; em alguns lugares eles servem acompanhados de fritas, mas isso já é um desvirtuamento do real sentido do PF de raiz, em minha opinião).

Enfim: paguei R$ 14,50 em um restaurante em uma esquina da Vila, que já me esqueci o nome, infelizmente. Valeu cada centavo.
A segunda experiência foi mais sofisticada, porém, bem menos prazerosa.
Sou daqueles adeptos à ingestão de peixes e frutos do mar em cidades de praia. Assim sendo, sentamos para jantar – eu, minha mulher e seu filho – no Deck, um restaurante à beira da praia, com vista para o mar e para a cidade de São Sebastião. Tudo maravilhoso. A decoração estava muito bonita.
Pedi uma casquinha de siri, que, ao abusivo preço de R$ 18, imaginei, deveria ser fantástica.
Não era. Além de pequena, estava pordemais seca e levemente adocicada. É interessante o fato da casquinha ser feita de massa de torta, comestível. Mas o gosto da carne do siri estava bem insatisfatório. O preço não condiz com a qualidade do produto.
Pedimos também uma pizza, que estava bem-feita. Saborosa, até.
Sei que, nesses lugares, paga-se pela vista, mas o restaurante, devo dizer, é dividido em dois ‘blocos’. A maior parte do estabelecimento não fica defronte ao mar, mas do outro lado da rua, numa casa grande, que, embora seja aberta e com música ao vivo, não possibilita ao cliente ver o oceano.
Trocando em miúdos: para uma noite romântica, na qual você esteja disposto a desembolsar dinheiro mais pela produção do que pela comida, vá ao Deck. É válido.
Porém, se quer pagar um preço justo (ou se quer comer uma boa casquinha de siri, como eu queria) fique longe do local.
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